Saude mental & trabalho
Por Paola Vitalino da Silva · 6 de julho de 2026 · 6 min de leitura
NeurociênciaInteligência EmocionalNR-1Saúde mental organizacional
Nos últimos anos, a saúde mental deixou de ser apenas uma pauta de bem-estar e passou a fazer parte da estratégia das organizações.
Isso porque empresas de todos os portes têm observado um aumento significativo de afastamentos, presenteísmo, rotatividade e queda de produtividade relacionados ao estresse ocupacional.
Mais do que nunca, é preciso compreender que o estresse não afeta apenas o colaborador. Ele impacta diretamente os resultados da empresa.
Toda atividade profissional envolve algum nível de pressão. O problema começa quando essa pressão se torna constante e o organismo não encontra tempo suficiente para se recuperar.
O cérebro permanece em estado contínuo de alerta, aumentando a produção de hormônios relacionados ao estresse, como o cortisol.
Com o passar do tempo, esse funcionamento pode comprometer:
Na prática, isso significa colaboradores mais cansados, menos produtivos e mais suscetíveis ao adoecimento.
Antes de um colaborador precisar se afastar, geralmente existem sinais que passam despercebidos.
Alguns deles incluem:
Quando esses indicadores começam a aparecer em diferentes setores, vale a pena olhar além do comportamento individual e investigar como o ambiente de trabalho pode estar contribuindo para esse cenário.
É comum associar o estresse apenas ao excesso de trabalho.
Na realidade, diversos fatores organizacionais podem aumentar significativamente a sobrecarga emocional, como:
Muitas vezes, o problema não está na capacidade do colaborador, mas na forma como o trabalho está organizado.
Quando o estresse se torna parte da cultura organizacional, os reflexos aparecem em praticamente todos os indicadores da empresa.
Entre eles:
Aumento do absenteísmo;
Presenteísmo (quando o colaborador está presente, mas com baixo desempenho);
Maior rotatividade;
Redução da qualidade das entregas;
Aumento de acidentes e falhas operacionais;
Perda de talentos;
Piora do clima organizacional.
Esses custos costumam ser muito maiores do que o investimento necessário para atuar de forma preventiva.
Empresas que investem na identificação dos fatores que geram estresse conseguem agir antes que o adoecimento aconteça.
Isso permite desenvolver ambientes mais saudáveis, fortalecer as lideranças, melhorar processos internos e construir equipes mais engajadas.
A prevenção não beneficia apenas os colaboradores.
Ela fortalece a sustentabilidade do negócio.
Paola Vitalino da Silva
Psicóloga · CRP 08/30509 · Especialista em neurociência afetiva aplicada Psicologia organizacional